Toda vez que digo que Dark Souls 2 é o meu favorito da série, alguém me olha torto. Já ouvi de tudo: que não é “Souls de verdade”, que o Miyazaki não dirigiu, que é o patinho feio da trilogia.
Eu zerei Dark Souls 1, 2 e 3, Sekiro, Elden Ring, Lies of P, Lords of the Fallen e Jedi Survivor. No caso do 2, zerei as duas versões, a original e a Scholar of the First Sin, matando todos os bosses das três DLCs. E continuo dizendo a mesma coisa.
Deixa eu explicar por quê.
O jogo que me ensinou a jogar
Dark Souls 2 foi meu primeiro soulslike. Antes dele eu já tinha zerado God of War e Devil May Cry, então cheguei achando que seria mais do mesmo: apertar botão, encher de combo, seguir em frente.
Aí eu morri para um morto-vivo básico. No tutorial.
Foi ali que a ficha caiu. Sair clicando no botão de ataque não ia resolver, e ficar bravo com cada bichinho que me matava era perda de tempo. Comecei a prestar atenção de verdade: cada inimigo tem um padrão. Ele levanta a arma de um jeito antes de desferir, tem um tempo entre um golpe e outro, tem uma abertura.
Isso é o que separa “esse jogo é injusto” de “esse jogo é difícil”. Quando você entende o padrão, o jogo inteiro muda. Você sabe quando desviar e, mais importante, quando bater.
Nenhum outro jogo tinha me ensinado isso antes.
A trolagem que eu comprei inteira
Lembro de chegar num túnel coberto de poças de sangue. Marca de sangue no chão significa que alguém morreu ali. E ali tinha muita gente morta.
Passei um tempo bom naquela entrada, com medo do que me esperava. Avancei devagar, escudo erguido, esperando uma emboscada.
Não tinha nada. Era só a comunidade fazendo graça.
Até hoje acho esse um dos momentos mais Dark Souls que já vivi — e ele não foi criado pela FromSoftware, foi criado pelos outros jogadores.
Majula não tem igual
Depois do sufoco inicial, você chega em Majula. O sol caindo no penhasco, aquela trilha sonora de piano, o silêncio.
É uma sensação de perfeição difícil de explicar pra quem não jogou. Todo Souls tem seu hub, mas nenhum me deu o conforto que Majula dá. O único que chega perto é o Sonho do Caçador em Bloodborne, e ainda assim mais pela boneca do que pelo lugar em si.

Majula é onde você respira. É onde você volta depois de apanhar duas horas seguidas e lembra por que continua jogando.
Os bosses que ficaram
Dark Souls 2 tem uma galeria de chefes que eu carrego comigo:
Demônio da Fornalha — puro calor e pressão, a arena inteira trabalhando contra você.
Velstadt — talvez o boss mais subestimado da série inteira, com um peso de apresentação absurdo.
Rei de Marfim — a DLC de gelo fecha em grande estilo.
Sir Alonne — elegância pura, uma luta que parece coreografada.
E aí tem o Fume Knight.

Foram três dias. Tentativa atrás de tentativa, decorando cada fase, cada troca de arma, cada janela de ataque. Quando finalmente caiu, eu comemorei sozinho no quarto como se tivesse ganhado campeonato.
Esse é o tipo de vitória que só esse gênero entrega.
O legado que ninguém dá crédito
E aqui vai o argumento que eu acho mais difícil de rebater.
Depois de zerar Elden Ring, ficou claro pra mim: muito do que há de melhor lá veio do Dark Souls 2. O power stance, empunhar duas armas do mesmo tipo e desbloquear um moveset novo, nasceu aqui. E não é o único caso.
Dark Souls 2 experimentou coisas que na época foram chamadas de erro e que anos depois voltaram, polidas, nos jogos que todo mundo aplaude.
Então é perfeito?
Não. Dark Souls 2 tem problemas reais, e quem gosta do jogo sabe disso melhor que os críticos.
Hitbox bugada, um ataque que você desvia e mesmo assim te acerta, o jogo também é mais lento que o Darksouls 1 e o 3, Bosses ruins como o rato de moicano.
Mas nenhum desses defeitos apaga o que ele fez comigo. Foi o jogo que me ensinou a jogar soulslike, que me deu Majula, que me fez passar três dias num boss só pra sentir aquilo quando venceu.
Me diz o seu
Sei que essa opinião é minoria, e é justamente por isso que eu quis escrever.
Qual é o seu favorito da série, e por quê? Se você é do time que não suporta o 2, quero ouvir seu argumento nos comentários.